Saturday, May 26, 2012
Com o coração acelerado, mãos tremendo, a respiração sufocando, eu tento pensar em uma saída. Por que fiz? Por que faço? Aperta-me a garganta e faltam-me palavras. Os pensamentos parecem tiros em minha cabeça, e por dentro meus órgãos me torturam. Ando para todos os lados, e em um minuto vivo uma hora. Meus medos passando em meus olhos, meus arrependimentos por todo lugar. Um estranho dentro de mim, uma sensação que antes não vivia. Será que vou, será que fico? São tantos lugares, quero morrer aqui. O coração que não se acalma, vai desencadeando uma lista de coisas ruins. Não sou capaz de ver a luz com esses olhos vermelhos. Não tenho um lar, um afago, um consolo, não tenho forças. Arrasto-me para os cantos, e nesse lugar não cabe mais meu eu. Rouba-me o sono, o sol, o sorriso. Não aguento mais isso. Não me aguento mais. Vicie-me em minha própria tristeza, e não vejo volta.
Sunday, May 20, 2012
Sunday, May 13, 2012
Thursday, May 10, 2012
Monday, May 7, 2012
Ah, essas notas que me recompõem! Essas vozes magníficas em um só coro! Ah, que beleza, que beleza! Enquanto vejo o mundo cair pedaço por pedaço, as notas são jogadas no ar, numa só voz invocando a esperança. Enquanto essa musica vai invadindo minhas veias e correndo por meu corpo, já nem enxergo nada (nem preciso ver!). Enquanto a musica tocar, eu serei feliz, eu estarei cheio de esperança, eu estarei vazio de mundo e cheio de vida.
Tentarei pegar as notas no ar e fazer da realidade essa musica.
Monday, April 30, 2012
Enquanto eu me deslocava pelo ar, com uma leveza do tamanho da inocência de uma criança, a escuridão de uma tempestade pairou no céu claro, e transformou em cinza, trazendo junto meu medo de cair junto com as gotas d’água. Minhas asas que até aquele momento aguentavam firmemente a ventos e chuviscos enfraqueceram-se. Meu corpo vacilou por um segundo, e quase senti o gosto do chão. Enquanto raios rasgavam o céu, meu corpo se enfraquecia. Junto com as gotas frias, fechei as asas, e senti alivio na longa e salvadora queda. A dor de estar no chão não foi nada. Junto com o céu, eu estava cinza. Feliz por ter estados nas nuvens, triste por não ter permanecido.
Sunday, April 29, 2012
Não consegui esconder uma lágrima triste, que escorreu solene por minha bochecha. Fechei os olhos e tentei pensar que aquilo não era real, que a vida era uma mentira. Senti o gosto de fracasso na boca, e a tristeza da morte apertou meu peito, e junto com aquela majestosa lágrima, várias outras rolaram em seguida.
Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra. Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora. Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda. Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima. Você é aquilo que reivindica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia. Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.
Martha Medeiros (via cinzentos)
Saturday, April 28, 2012
O meu problema é querer pular no abismo quando a cegueira toma conta de mim. Salvar as pessoas pelo incauto que me cerca e afirmar “estou bem” porque elas não sabem o que eu sou e o que se passa comigo. Cansei dessa parafernália de abrir a porta de casa e ser recebido com um beijo quando meus poros clamam por um abraço. Abraço. Quando tornar-se-ão dependência de todos? porque você prefere furar seus pés, seu rosto, seu peito, seu ego, do que abraçar. Você prefere sair da sua casa com seu vestido tão lindo e seu coração tão ínfimo e sujo. Você prefere escutar música do que comê-la. Você prefere ler uma poesia do que pegá-la e enfiá-la dentro de um buraco juntamente contigo. Mas você não entende. Não sabe das dores que acumulei, nem das aflições que engoli.
Eu vivo resgatando as pessoas que mal sabem dos resgastes que precisam ser feitos em mim.
(Source: conotar)
Thursday, April 26, 2012
Wednesday, April 25, 2012